quinta-feira, 28 de julho de 2016

A COMUNICAÇÃO VAI ALÉM DAS PALAVRAS...

Empatizar com uma pessoa envolve se abster de qualquer julgamento pessoal da situação, deixar de lado a memória pessoal dos eventos e a reação emocional particular a eles, da concepção pessoal das características e objetivos da pessoa e até da concepção pessoal a seu próprio respeito (Sarah Hodges e Daniel Wagner-psicólogos).

Em fevereiro de 2011, saiu na revista Galileu (revistagalileu.globo.com/Revista/…/0,,EMI212919-17770,00-CAES+SE…) uma matéria falando sobre os cachorros e a empatia. Segundo a matéria, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazr, em Portugal, constataram que os cachorros parecem sentir empatia pelas emoções humanas, afirmando que os animais usados em terapias poderiam até adquirir as emoções de seus donos. Segue um trecho:

De acordo com o estudo, os animais não copiam simplesmente as emoções que estão ao seu redor. Cães podem ficar chateados como uma criança quando criados em um ambiente familiar com brigas. E podem pedir por ajuda no caso de emergências, o que sugere certo grau de percepção e empatia. […] A evolução e a domesticação teriam feito com que os cachorros conseguissem sincronizar suas emoções às humanas. Outro motivo seria a seleção artificial, que buscou animais cada vez mais inteligentes – e provavelmente capazes de “entender” melhor as pessoas.

Será que você já reparou como os cachorros têm a capacidade de persuasão sem emitir uma única palavra? Eles não falam, mas se comunicam conosco o tempo todo. E acredito que, na maioria das vezes, senão em 100% delas, eles são entendidos. Impressionante isso, não?

E você já se deu conta de como os animais conseguem perceber o que estamos sentindo? Quantas vezes, quando nos sentimos um pouco tristes ou melancólicos, eles se aproximam e deitam-se ao nosso lado? A sensação é como se eles conseguissem entrar na nossa alma, e conseguem, pois os cães são empáticos nesse sentido. Embora somente o homem tenha realmente a capacidade de entender o processo empático de perceber o outro, de se colocar no lugar dele e ajudá-lo, como somos seres racionais, utilizamos a racionalidade para impedir que esse processo aconteça naturalmente, da forma como está escrito. Pois nesse processo, que escrito parece simples, colocamos nossos preconceitos, julgamentos, emoções.

Segundo Arthur P. Ciaramicoli e Katherine Ketcham, autores do livro “O poder da empatia”, toda experiência inspirada pela empatia começa, necessariamente, com a lembrança de que nossas percepções são limitadas por nossas experiências e nossas interpretações dessas experiências. Por termos essa capacidade de qualificar o que sentimos, criamos amarras e nos aprisionamos nas nossas próprias emoções.

Logo, se a empatia pressupõe o não julgamento, os cachorros estão mais avançados do que nós, seres humanos. A empatia acontece sem palavras, por meio do olhar, de um movimento, de um latido, de uma lambida.

Segundo Daniel Goleman (1995), a empatia requer, no mínimo, a capacidade de ler as emoções de outra pessoa. Num nível mais elevado, implica em aperceber-se, reagir às preocupações e sentimentos não-verbalizados de alguém. No nível mais alto, ter empatia é compreender as questões e preocupações que ficam por detrás do sentimento de alguém. E uma dica valiosa para conseguirmos nos conectar com o sentimento do outro, nada melhor que primeiro nos conectarmos com nós mesmos, através do autoconhecimento.

Esta é a chave para conhecer o terreno emocional do outro e nos tornarmos verdadeiramente empáticos. No momento em que você está conectado com o outro, de fato, acontece algo interessante em termos fisiológicos – seu próprio corpo imita o outro quando se sintonizam com os sentimentos dele –, sintonia empática. Pode ocorrer também uma sintonia nos batimentos cardíacos. Essa interação denomina-se “entrosamento”. Essa sintonia intensa exige que deixemos de lado nossa própria programação emocional para podermos receber claramente os sinais da outra pessoa, para que possamos fazer um Rapport. Segundo Anthony Robbins:

Rapport é a capacidade de entrar no mundo de alguém, fazê-lo sentir que você o entende e que vocês têm um forte laço em comum. É a capacidade de ir totalmente do seu mapa do mundo para o mapa do mundo dele. É a essência da comunicação bem-sucedida.

Esse entrosamento espontâneo ocorre também quando duas pessoas começam a conversar e seus movimentos e posturas, tonalidade vocal, velocidade da fala e até mesmo a duração das pausas entre a fala de uma e de outra estão em sintonia, em harmonia.

Quando assumimos o ritmo, a postura, a expressão facial do outro, começamos a nos situar em seu espaço emocional. Sentimos também uma sintonia emocional. Nosso sistema nervoso fica preparado automaticamente para entrar nessa empatia emocional. No entanto, a maneira como utilizamos essa capacidade é, em grande parte, uma aptidão adquirida, que depende da motivação.

Nunca podemos dizer que “a temos” em todos os nossos relacionamentos, pois sempre precisamos buscá-la. Por isso, a observação de como os cachorros se comunicam e o que eles conseguem com isso é um bom exercício para desenvolver a capacidade de ter empatia, que está presente na arte de influenciar, na comunicação, na liderança, na persuasão, na inteligência emocional e social, resumindo, nos relacionamentos. Lembrando, claro, que cada interação é diferente, cada momento é um novo momento, todo relacionamento é único. Afinal, a empatia é um processo interativo, que exige de você muito mais do que técnicas, exige estar presente, exige alma.

Fonte: escrito por Ana Matos no site O Segredo - https://osegredo.com.br/2016/01/a-comunicacao-vai-alem-das-palavras/