sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A PORTA NEGRA

Há algumas gerações atrás, durante uma das mais turbulentas guerras no Oriente Médio, um general persa capturou um espião e o condenou à morte.

O general, um homem de grande inteligência e compaixão havia adotado um estranho costume em tais casos. Ele permitia ao condenado que escolhesse. O prisioneiro podia enfrentar um pelotão de fuzilamento, ou podia atravessar a “porta negra”.

Um pouco antes da execução, o general ordenava que trouxessem o espião à sua presença para uma breve e final entrevista, sendo seu principal objetivo saber qual seria sua resposta: o pelotão de fuzilamento ou a “porta negra”.

Esta não era uma decisão fácil e o prisioneiro vacilava e preferia invariavelmente o pelotão ao desconhecido e aos espantosos horrores que poderiam estar por detrás da tenebrosa e misteriosa “porta negra”. Momentos após se escutava o rajar das balas que davam cumprimento à sentença.

O general, com os olhos fixos em suas bem polidas, botas voltava-se para o seu ajudante de ordens e dizia:

- “Eis ali o que é o homem, prefere o mal conhecido ao desconhecido. É uma característica dos humanos temer o incerto. Você vê, eu disse a ele para escolher”.

- Afinal, o que existe atrás da “porta negra”? - perguntou seu ajudante de ordens.

- A “liberdade” - respondeu o general – “e poucos têm sido os homens que tive.

-A.D